quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Impressões do Video " A era da memória digital”



Analisando o vídeo “A era da memória digital” não tem como não ficamos apreensivos, preocupados ou “assustados” como os nossos dados pessoais podem ser usados (nossa privacidade invadida), comercializados e ainda mais, não temos garantia de segurança e controle sobre eles. Os dados digitais não se armazenam no nada “nas nuvens”, é preciso de uma base (Data Center) um local nada virtual e sim bem concreto. Imaginar que as nossas memórias histórica (memória do mundo) estão a mercê dessa tecnologia digital, que ao meu ver são necessárias nos dias de hoje, não tem como retrocedermos, a geração da era digital é um fato, smarthphones, tablets, ipods, games digital, dentre outros, constantemente aparecem novos aplicativos para alimentar os desejos de seus usuários.

Não quero parecer saudosista gosto muito de bibliotecas de estar com livros, respirar num ambiente de leitura, mas sinto que esse atual formato de templo do conhecimento tende a desaparecer.  A internet nos mostra isso, tudo está num click no Google desde algo útil ou fútil, para quê tantas informações?

Veio-me na mente a imagem de uma pessoa entrando em uma biblioteca e pegasse uns quinhentos livros para pesquisa ou entretenimento e lesse apenas dez, temos muitas facilidades, mas será que são tão uteis assim?

O próprio celular, olha que o meu não é tão moderno assim, depois de seu surgimento e uso acessível em massa, eu que memorizava algumas dezenas de números em outras épocas não tão distante, hoje da para contar em uma mão os números que me vem na cabeça e olha lá.

Outra questão que me persegue é o ambiental, imaginem só quanta energia é consumida para a  produção e armazenamento desses dados. Vemos muita tecnologia num simples click, muita dependência desta tecnologia, também me assombra as ideias, se por uma infelicidade de um “controlador de dados” clicar erroneamente e todos esses dados sumirem, simplesmente com  um click  desaparecerem do sistema é uma possibilidade que não pode ser descartada.

Voltando ao assunto principal nossas memórias são “uns e zeros” códigos binários, somos globalizados a rede está conectada. Os usuários sejam crianças, jovens e adultos estão conectados com essas novas mídias de informação, mas sinto que cada vez mais estão desconectados com a relação humana, vivendo num universo paralelo, penso que tal conflito social é um desafio para o Educador Social propiciar um meio termo, uma convivência harmônica entre  o virtual e  o real.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Contribuição para o Roteiro do vídeo sobre Pedagogia Social

Como a Pedagogia Social pode contribuir com a sociedade?


A Pedagogia Social constitui a base teórica necessária para viabilizar e mediar ações  de Educação Social para uma Educação integral, integrada e integradora , independente de classe social e sim onde há conflitos sociaias e se faz ao longo de toda a vida, em todos os espaços e em todas as relações visando assim uma sociedade justa e igualitária.


Pesquisa - Pedagogia Social pode contribuir com a sua inequívoca  vocação para a libertação, emancipação e autonomia  do sujeito em relação às estruturas que o  oprimem, abrange todos os setores da sociedade, inclusive os opressores, pois como afirma Paulo Freire, a libertação do oprimido não é um processo unilateral, porque pressupõe  também a libertação do opressor. (SILVA,2011, p. 188)

Entrevista - A Pedagogia Social pode contribuir na mediação das ações, ajudando na analise do território onde a ação será desenvolvida, articulando juntos as práticas para a defesa e garantia dos direitos visando uma sociedade justa e igualitária. (Letícia Maria de Lima, Monitora de Educação Profissional).
 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Decadência da Cultura Brasileira - Luís Fernando Veríssimo

DECADÊNCIA DA CULTURA BRASILEIRA

Por Luis Fernando Veríssimo

Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. A nova edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado á nossa modesta inteligência.

Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo.

Impossível assistir e ver  este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros...todos na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterossexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE.

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humana divertido”. Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete-se a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação do Globo, um repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis? Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis  que, diariamente, passam horas  exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis  são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo dia.

Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna. Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, Ongs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna Zilda Arns).

Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a “entender” o comportamento humana”. Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores).


Essas palavras não são de revoltas de revoltas ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores. Em vez de assistir BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema...,estudar...,ouvir boa música...,cuidar das flores e jardins..., pescar..., brincar com as crianças..., namorar...ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Aula de Pedagogia Social - Apresentação

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO IMPRESSÕES DE LEITURA  07/02/2015   Unisal - Campinas
estudando livro  Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire

IMPRESSÕES DE LEITURA


Texto: PEDAGOGIA DO OPRIMIDO
Autor: Paulo Freire.
              
A obra Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire nos remete a uma reflexão  e  contradições entre oprimido e o opressor, nos levando  à luz  e a escuridão, num caminhar em busca da libertação.
O autor nos aponta uma libertação não somente do oprimido como também do opressor, tal solução seria equacionada com a Pedagogia do Oprimido.
“Os dominados, para dizerem a sua palavra, têm que lutar para tomá-la. Os dominadores mantém o monopólio das palavras, com que mistificam, massificam e dominam”[1].
Dialética das contradições, demonstra um processo dialético de historização,  nos alertando que todo bom método pedagógico, não tem o escopo de ensino, mas sim de aprendizagem. E ainda  uma pedagogia que tem de ser forjada com o sujeito e não para ele. Conhecer o sujeito em sua área de estudo é imprescindível,  pois a pedagogia faz-se antropologia[2].

O método de Freire ensina/aprende “o homem a ler o mundo com liberdade”, não ler somente o texto e sim todo o contexto[3]. Retomando as contradições, agora no caso aludido dos camponeses  que promovidos a capatazes, não raro as vezes  que se tornaram mais cruéis que seus patrões, sendo que os oprimidos veem no opressor a sua imagem  de “homem”, a sombra do opressor segue o oprimido “libertado” (capataz).
O medo de liberdade que os transforma em opressor ou mesmo paralisa (status quo) o oprimido.
“Este medo da liberdade também  se instala nos opressores, mas obviamente, de maneira diferente. Nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de  perder a “liberdade de  oprimir”[4] 

Lembrando aqui do que podemos falar como  escravo na dialética  hegeliana, caracterizando assim o oprimido como “consciência servil” em  relação à consciência do senhor (opressor) transformando-se em objeto quase “coisa”.
Salienta o autor que o opressor só se solidariza com os oprimidos quando os seus gestos são sinceros e carregados de amor, é um ajudar transformador de ambas as partes, um ganha-ganha,  ganha quem dá e quem recebe. Pois as falsas generosidades alimentam as misérias dos oprimidos.
                            
A questão da educação bancária que nos equipara a um recipiente vazio que deve ser  preenchido passivamente com  informações, temos que apenas decorar a “decoreba”[5] não necessariamente    aprender, por si só é um elemento opressor.    Podemos assim dizer contrapondo com o problematizar, este formam seres  pensantes, críticos e criativos, já a bancária impossibilita o oprimido de exercitar uma análise crítica sobre a realidade, pois a consciência e o mundo se dão ao mesmo tempo.[6]

A cultura da dominação do opressor sobre oprimido é violenta tornando-os seres ingênuos,  logo, não pensam, ou melhor, não fazem uma reflexão e ação da sua situação do mundo ao seu redor. Ação e reflexão se dão simultaneamente, isso é a práxis, deixando de serem objetos para serem sujeitos transformando-os da sua ingenuidade para criticidade, ou seja, seres autônomos.
A manipulação antidialógica outro ponto negativo o fato de não haver diálogo com o povo oprimido, já é uma opressão.
“Não há que ouvir o povo para nada, pois que, incapaz e inculto, precisa ser educado por eles para sair da indolência que provoca o subdesenvolvimento”[7]
Faz se necessário a dialogicidade o agir dialogicamente com o povo oprimido, a comunicação do educando com o educador. A elite o governo será que eles querem mesmo falar com “essa gente”[8]? Eles precisam dividir o pão!

Parafraseando Protágoras[9] “O dinheiro é a medida de todas as coisas. E  o lucro o seu objetivo principal” Freire, nos deixa claro a concepção materialista  da existência. E ainda o opressor tem um sadismo em oprimir e  uma visão necrófila do mundo[10].
Assusta-me a ideia da visão  messiânica, salvadora de um pseudo-deus perpetuada na cabeça do oprimido na sua condição passiva.
“Ao visitar, com um colega pernambucano, varias famílias residentes em Mocambos, em condições de miséria indiscutível e ao perguntar-lhes como suportavam viver assim, escutava sempre a mesma resposta: “Que posso fazer? Deus quer assim, só me resta conformar-me”[11].

O opressor para controlar precisa dividir as massas, pois o povo unido é muito mais forte, o governo controla a “educação” formatando-a, a forma limita e não leva a reflexão.
“Nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens e na criação de um mundo em que seja menos difícil amar.”[12]                                           
Paulo Freire.

É preciso sim, acreditar, que essa “educação de hoje” possa mudar para melhor, seja educação formal, não-formal ou mesmo informal. A própria palavra   “educação” tem que ser desmistificada como sinônimo de escola, a educação é mais que uma escola, seja qual for o nível do parque infantil até  as universidades, Paulo Freire já nos mostrou que “tudo se aprende e  se ensina em qualquer lugar”, a sociedade é o meio educativo, embora o homem muitas vezes não tenha consciência disso. A educação é uma forma de intervenção no mundo[13]

A educação se faz no interior da sociedade com suas diversidades, precisamos é de uma educação que transforme o homem-objeto em homem-sujeito[14].

Entendo que a Pedagogia Social pode e deve propor intervenções para os oprimidos, mas contraponho dizendo que “essa gente” termo já usado anteriormente, na  condição de oprimido, muitos não conseguem sair dessa condição por si só, sem uma ajuda externa, acredito que num primeiro momento haveria uma ação-reflexão externa do educador com suas ferramentas ou elementos pedagógicos[15], a partir do que ele entende ser útil para a comunidade, partindo sempre do principio que já houve um mínimo de contato anterior com o educando e suas necessidades[16] e em outro momento a ação interna do oprimido reflexão-ação,  nesta fase de reflexão-ação do oprimido[17], o mesmo teria condições de criticar, criar e transformar o seu mundo.




[1] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje, v. 21). p.16
[2] Livro Pedagogia do Oprimido. P. 04
[3] FREIRE, Paulo, de A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam  29ª Ed. São Paulo: Ed. Cortez, 1994 (Coleção Questões da nossa época, v. 13).  P.09
[4] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje, v. 21). p.34
[5]   E a expressão que a gente usa tanto, de cor? Passou até a ser usada de forma pejorativa na palavra “decoreba”, para significar um conhecimento mecânico e burro. Mas de cor vem da palavra latina que quer dizer coração (cor, cordis). Assim, saber alguma coisa de cor é mais que saber com a cabeça. É saber que mora no lugar onde a vida pulsa. A cabeça pode esquecer, mas aquilo que foi aprendido com o coração não é esquecido nunca. p. 54 ALVES, Rubem, de Ao Professor, com o meu Carinho  1ª edição Ed. Pegue&Leve/Saraiva, Rio de Janeiro,  2013. Edições BestBolso.
[6] Jean Paul Sartre, Livro Pedagogia do Oprimido p.81

[7]  Livro Pedagogia do Oprimido p.182

[8] Termo usado para denominar os oprimidos p.45 do livro Pedagogia do Oprimido.

[9]  Filósofo Sofista nasceu por volta de 492 a.C. em Abdera e parece ter sido discípulo de Demócrito "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

[10]  Freire, refere-se a um amor às avessas,  um amor ao seu status quo característica da consciência opressora, logo, esse amor é um amor a morte e não à vida. Livro Pedagogia do Oprimido p.50.

[11]  Livro Pedagogia do Oprimido p.192

[12] Livro Pedagogia do Oprimido p.218

[13]  Livro Pedagogia da Autonomia p.98
[14] FREIRE, Paulo, de Educação como Prática da Liberdade 15ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1984 .p.36
[15] Muitas vezes essas ferramentas ou elementos pedagógicos não são desenvolvidos dentro do mundo acadêmico e sim  no dia-a-dia, nos  seus acertos e erros ou seja empiricamente. Entendo que só podemos ajudar o próximo se estivermos preparados ou seja “conhecer, para poder ajudar, mais e melhor.”Conhecimento acadêmico é necessário seja  qual for o nível, por exemplo os cursos rápidos de recolocação no mercado de trabalho, técnicos, superior, etc.
[16] A mídia diariamente nos mostram essas necessidades, exemplificando determinado bairro tem muitas crianças e adolescentes na rua praticamente o dia todo ociosos. É  crescente o número de violência, o uso de drogas ilícitas, homicídio, roubo, furto, etc. e ainda noticiam a falta de Posto de Saúde, Creches, Escolas dentre outros Equipamentos Social.

[17] Nesta fase podemos dizer que a “ação e reflexão se dão simultaneamente” de Freire estaria em harmonia com o que eu entendo ser possível vivenciar a teoria com a prática.