estudando livro Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
IMPRESSÕES
DE LEITURA
Texto:
PEDAGOGIA DO OPRIMIDO
Autor: Paulo
Freire.
A
obra Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire nos remete a uma reflexão e contradições entre oprimido e o opressor, nos
levando à luz e a escuridão, num caminhar em busca da
libertação.
O
autor nos aponta uma libertação não somente do oprimido como também do
opressor, tal solução seria equacionada com a Pedagogia do Oprimido.
“Os
dominados, para dizerem a sua palavra, têm que lutar para tomá-la. Os
dominadores mantém o monopólio das palavras, com que mistificam, massificam e
dominam”[1].
Dialética
das contradições, demonstra um processo dialético de historização, nos alertando que todo bom método pedagógico,
não tem o escopo de ensino, mas sim de aprendizagem. E ainda uma pedagogia que tem de ser forjada com o
sujeito e não para ele. Conhecer o sujeito em sua área de estudo é
imprescindível, pois a pedagogia faz-se
antropologia[2].
O
método de Freire ensina/aprende “o homem a ler o mundo com liberdade”, não ler
somente o texto e sim todo o contexto[3].
Retomando as contradições, agora no caso aludido dos camponeses que promovidos a capatazes, não raro as
vezes que se tornaram mais cruéis que
seus patrões, sendo que os oprimidos veem no opressor a sua imagem de “homem”, a sombra do opressor segue o
oprimido “libertado” (capataz).
O
medo de liberdade que os transforma em opressor ou mesmo paralisa (status quo) o oprimido.
“Este
medo da liberdade também se instala nos
opressores, mas obviamente, de maneira diferente. Nos oprimidos, o medo da
liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de perder a “liberdade de oprimir”[4]
Lembrando aqui
do que podemos falar como escravo na
dialética hegeliana, caracterizando
assim o oprimido como “consciência servil” em
relação à consciência do senhor (opressor) transformando-se em objeto quase
“coisa”.
Salienta
o autor que o opressor só se solidariza com os oprimidos quando os seus gestos
são sinceros e carregados de amor, é um ajudar transformador de ambas as partes,
um ganha-ganha, ganha quem dá e quem
recebe. Pois as falsas generosidades alimentam as misérias dos oprimidos.
A
questão da educação bancária que nos equipara a um recipiente vazio que deve
ser preenchido passivamente com informações, temos que apenas decorar a
“decoreba”[5]
não necessariamente aprender, por si
só é um elemento opressor. Podemos
assim dizer contrapondo com o problematizar, este formam seres pensantes, críticos e criativos, já a
bancária impossibilita o oprimido de exercitar uma análise crítica sobre a
realidade, pois a consciência e o mundo se dão ao mesmo tempo.[6]
A
cultura da dominação do opressor sobre oprimido é violenta tornando-os seres
ingênuos, logo, não pensam, ou melhor,
não fazem uma reflexão e ação da sua situação do mundo ao seu redor. Ação e reflexão
se dão simultaneamente, isso é a práxis, deixando de serem objetos para serem
sujeitos transformando-os da sua ingenuidade para criticidade, ou seja, seres
autônomos.
A
manipulação antidialógica outro ponto negativo o fato de não haver diálogo com
o povo oprimido, já é uma opressão.
“Não
há que ouvir o povo para nada, pois que, incapaz e inculto, precisa ser educado
por eles para sair da indolência que provoca o subdesenvolvimento”[7]
Faz
se necessário a dialogicidade o agir dialogicamente com o povo oprimido, a
comunicação do educando com o educador. A elite o governo será que eles querem
mesmo falar com “essa gente”[8]?
Eles precisam dividir o pão!
Parafraseando
Protágoras[9]
“O dinheiro é a medida de todas as coisas. E
o lucro o seu objetivo principal” Freire, nos deixa claro a concepção
materialista da existência. E ainda o
opressor tem um sadismo em oprimir e uma
visão necrófila do mundo[10].
Assusta-me
a ideia da visão messiânica, salvadora
de um pseudo-deus perpetuada na cabeça do oprimido na sua condição passiva.
“Ao
visitar, com um colega pernambucano, varias famílias residentes em Mocambos, em
condições de miséria indiscutível e ao perguntar-lhes como suportavam viver
assim, escutava sempre a mesma resposta: “Que posso fazer? Deus quer assim, só
me resta conformar-me”[11].
O
opressor para controlar precisa dividir as massas, pois o povo unido é muito
mais forte, o governo controla a “educação” formatando-a, a forma limita e não
leva a reflexão.
“Nossa
confiança no povo. Nossa fé nos homens e na criação de um mundo em que seja
menos difícil amar.”[12]
Paulo
Freire.
É
preciso sim, acreditar, que essa “educação de hoje” possa mudar para melhor,
seja educação formal, não-formal ou mesmo informal. A própria palavra “educação” tem que ser desmistificada como
sinônimo de escola, a educação é mais que uma escola, seja qual for o nível do parque
infantil até as universidades, Paulo
Freire já nos mostrou que “tudo se aprende e
se ensina em qualquer lugar”, a sociedade é o meio educativo, embora o
homem muitas vezes não tenha consciência disso. A educação é uma forma de
intervenção no mundo[13]
A
educação se faz no interior da sociedade com suas diversidades, precisamos é de
uma educação que transforme o homem-objeto em homem-sujeito[14].
Entendo
que a Pedagogia Social pode e deve propor intervenções para os oprimidos, mas
contraponho dizendo que “essa gente” termo já usado anteriormente, na condição de oprimido, muitos não conseguem
sair dessa condição por si só, sem uma ajuda externa, acredito que num primeiro
momento haveria uma ação-reflexão externa do educador com suas ferramentas ou
elementos pedagógicos[15],
a partir do que ele entende ser útil para a comunidade, partindo sempre do
principio que já houve um mínimo de contato anterior com o educando e suas
necessidades[16] e
em outro momento a ação interna do oprimido reflexão-ação, nesta fase de reflexão-ação do oprimido[17],
o mesmo teria condições de criticar, criar e transformar o seu mundo.
[1] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do
Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje,
v. 21). p.16
[2] Livro Pedagogia do Oprimido. P.
04
[3] FREIRE, Paulo, de A Importância do
Ato de Ler: em três artigos que se completam
29ª Ed. São Paulo: Ed. Cortez, 1994 (Coleção Questões da nossa época, v.
13). P.09
[4] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do
Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje, v.
21). p.34
[5] E
a expressão que a gente usa tanto, de cor? Passou até a ser usada de forma
pejorativa na palavra “decoreba”, para significar um conhecimento mecânico e
burro. Mas de cor vem da palavra latina que quer dizer coração (cor, cordis). Assim, saber alguma coisa de cor
é mais que saber com a cabeça. É saber que mora no lugar onde a vida pulsa. A cabeça
pode esquecer, mas aquilo que foi aprendido com o coração não é esquecido
nunca. p. 54 ALVES, Rubem, de
Ao Professor, com o meu Carinho 1ª edição
Ed. Pegue&Leve/Saraiva, Rio de Janeiro,
2013. Edições BestBolso.
[6] Jean Paul Sartre, Livro
Pedagogia do Oprimido p.81
[7]
Livro Pedagogia do Oprimido p.182
[8] Termo usado para denominar os
oprimidos p.45 do livro Pedagogia do Oprimido.
[9] Filósofo
Sofista nasceu por volta de 492 a.C. em Abdera e parece ter sido discípulo de
Demócrito "O homem é a medida de
todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são,
enquanto não são."
[10] Freire,
refere-se a um amor às avessas, um amor
ao seu status quo característica da
consciência opressora, logo, esse amor é um amor a morte e não à vida. Livro
Pedagogia do Oprimido p.50.
[11] Livro
Pedagogia do Oprimido p.192
[12]
Livro Pedagogia do Oprimido
p.218
[14] FREIRE, Paulo, de Educação como
Prática da Liberdade 15ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1984 .p.36
[15] Muitas vezes essas ferramentas ou
elementos pedagógicos não são desenvolvidos dentro do mundo acadêmico e sim no dia-a-dia, nos seus acertos e erros ou seja empiricamente.
Entendo que só podemos ajudar o próximo se estivermos preparados ou seja
“conhecer, para poder ajudar, mais e melhor.”Conhecimento acadêmico é necessário
seja qual for o nível, por exemplo os
cursos rápidos de recolocação no mercado de trabalho, técnicos, superior, etc.
[16] A mídia diariamente nos mostram
essas necessidades, exemplificando determinado bairro tem muitas crianças e
adolescentes na rua praticamente o dia todo ociosos. É crescente o número de violência, o uso de
drogas ilícitas, homicídio, roubo, furto, etc. e ainda noticiam a falta de
Posto de Saúde, Creches, Escolas dentre outros Equipamentos Social.
[17]
Nesta fase podemos dizer
que a “ação e reflexão se dão simultaneamente” de Freire estaria em harmonia
com o que eu entendo ser possível vivenciar a teoria com a prática.
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