sábado, 7 de fevereiro de 2015

PEDAGOGIA DO OPRIMIDO IMPRESSÕES DE LEITURA  07/02/2015   Unisal - Campinas
estudando livro  Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire

IMPRESSÕES DE LEITURA


Texto: PEDAGOGIA DO OPRIMIDO
Autor: Paulo Freire.
              
A obra Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire nos remete a uma reflexão  e  contradições entre oprimido e o opressor, nos levando  à luz  e a escuridão, num caminhar em busca da libertação.
O autor nos aponta uma libertação não somente do oprimido como também do opressor, tal solução seria equacionada com a Pedagogia do Oprimido.
“Os dominados, para dizerem a sua palavra, têm que lutar para tomá-la. Os dominadores mantém o monopólio das palavras, com que mistificam, massificam e dominam”[1].
Dialética das contradições, demonstra um processo dialético de historização,  nos alertando que todo bom método pedagógico, não tem o escopo de ensino, mas sim de aprendizagem. E ainda  uma pedagogia que tem de ser forjada com o sujeito e não para ele. Conhecer o sujeito em sua área de estudo é imprescindível,  pois a pedagogia faz-se antropologia[2].

O método de Freire ensina/aprende “o homem a ler o mundo com liberdade”, não ler somente o texto e sim todo o contexto[3]. Retomando as contradições, agora no caso aludido dos camponeses  que promovidos a capatazes, não raro as vezes  que se tornaram mais cruéis que seus patrões, sendo que os oprimidos veem no opressor a sua imagem  de “homem”, a sombra do opressor segue o oprimido “libertado” (capataz).
O medo de liberdade que os transforma em opressor ou mesmo paralisa (status quo) o oprimido.
“Este medo da liberdade também  se instala nos opressores, mas obviamente, de maneira diferente. Nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de  perder a “liberdade de  oprimir”[4] 

Lembrando aqui do que podemos falar como  escravo na dialética  hegeliana, caracterizando assim o oprimido como “consciência servil” em  relação à consciência do senhor (opressor) transformando-se em objeto quase “coisa”.
Salienta o autor que o opressor só se solidariza com os oprimidos quando os seus gestos são sinceros e carregados de amor, é um ajudar transformador de ambas as partes, um ganha-ganha,  ganha quem dá e quem recebe. Pois as falsas generosidades alimentam as misérias dos oprimidos.
                            
A questão da educação bancária que nos equipara a um recipiente vazio que deve ser  preenchido passivamente com  informações, temos que apenas decorar a “decoreba”[5] não necessariamente    aprender, por si só é um elemento opressor.    Podemos assim dizer contrapondo com o problematizar, este formam seres  pensantes, críticos e criativos, já a bancária impossibilita o oprimido de exercitar uma análise crítica sobre a realidade, pois a consciência e o mundo se dão ao mesmo tempo.[6]

A cultura da dominação do opressor sobre oprimido é violenta tornando-os seres ingênuos,  logo, não pensam, ou melhor, não fazem uma reflexão e ação da sua situação do mundo ao seu redor. Ação e reflexão se dão simultaneamente, isso é a práxis, deixando de serem objetos para serem sujeitos transformando-os da sua ingenuidade para criticidade, ou seja, seres autônomos.
A manipulação antidialógica outro ponto negativo o fato de não haver diálogo com o povo oprimido, já é uma opressão.
“Não há que ouvir o povo para nada, pois que, incapaz e inculto, precisa ser educado por eles para sair da indolência que provoca o subdesenvolvimento”[7]
Faz se necessário a dialogicidade o agir dialogicamente com o povo oprimido, a comunicação do educando com o educador. A elite o governo será que eles querem mesmo falar com “essa gente”[8]? Eles precisam dividir o pão!

Parafraseando Protágoras[9] “O dinheiro é a medida de todas as coisas. E  o lucro o seu objetivo principal” Freire, nos deixa claro a concepção materialista  da existência. E ainda o opressor tem um sadismo em oprimir e  uma visão necrófila do mundo[10].
Assusta-me a ideia da visão  messiânica, salvadora de um pseudo-deus perpetuada na cabeça do oprimido na sua condição passiva.
“Ao visitar, com um colega pernambucano, varias famílias residentes em Mocambos, em condições de miséria indiscutível e ao perguntar-lhes como suportavam viver assim, escutava sempre a mesma resposta: “Que posso fazer? Deus quer assim, só me resta conformar-me”[11].

O opressor para controlar precisa dividir as massas, pois o povo unido é muito mais forte, o governo controla a “educação” formatando-a, a forma limita e não leva a reflexão.
“Nossa confiança no povo. Nossa fé nos homens e na criação de um mundo em que seja menos difícil amar.”[12]                                           
Paulo Freire.

É preciso sim, acreditar, que essa “educação de hoje” possa mudar para melhor, seja educação formal, não-formal ou mesmo informal. A própria palavra   “educação” tem que ser desmistificada como sinônimo de escola, a educação é mais que uma escola, seja qual for o nível do parque infantil até  as universidades, Paulo Freire já nos mostrou que “tudo se aprende e  se ensina em qualquer lugar”, a sociedade é o meio educativo, embora o homem muitas vezes não tenha consciência disso. A educação é uma forma de intervenção no mundo[13]

A educação se faz no interior da sociedade com suas diversidades, precisamos é de uma educação que transforme o homem-objeto em homem-sujeito[14].

Entendo que a Pedagogia Social pode e deve propor intervenções para os oprimidos, mas contraponho dizendo que “essa gente” termo já usado anteriormente, na  condição de oprimido, muitos não conseguem sair dessa condição por si só, sem uma ajuda externa, acredito que num primeiro momento haveria uma ação-reflexão externa do educador com suas ferramentas ou elementos pedagógicos[15], a partir do que ele entende ser útil para a comunidade, partindo sempre do principio que já houve um mínimo de contato anterior com o educando e suas necessidades[16] e em outro momento a ação interna do oprimido reflexão-ação,  nesta fase de reflexão-ação do oprimido[17], o mesmo teria condições de criticar, criar e transformar o seu mundo.




[1] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje, v. 21). p.16
[2] Livro Pedagogia do Oprimido. P. 04
[3] FREIRE, Paulo, de A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam  29ª Ed. São Paulo: Ed. Cortez, 1994 (Coleção Questões da nossa época, v. 13).  P.09
[4] FREIRE, Paulo, de Pedagogia do Oprimido 13ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1983 (Coleção O Mundo, hoje, v. 21). p.34
[5]   E a expressão que a gente usa tanto, de cor? Passou até a ser usada de forma pejorativa na palavra “decoreba”, para significar um conhecimento mecânico e burro. Mas de cor vem da palavra latina que quer dizer coração (cor, cordis). Assim, saber alguma coisa de cor é mais que saber com a cabeça. É saber que mora no lugar onde a vida pulsa. A cabeça pode esquecer, mas aquilo que foi aprendido com o coração não é esquecido nunca. p. 54 ALVES, Rubem, de Ao Professor, com o meu Carinho  1ª edição Ed. Pegue&Leve/Saraiva, Rio de Janeiro,  2013. Edições BestBolso.
[6] Jean Paul Sartre, Livro Pedagogia do Oprimido p.81

[7]  Livro Pedagogia do Oprimido p.182

[8] Termo usado para denominar os oprimidos p.45 do livro Pedagogia do Oprimido.

[9]  Filósofo Sofista nasceu por volta de 492 a.C. em Abdera e parece ter sido discípulo de Demócrito "O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são."

[10]  Freire, refere-se a um amor às avessas,  um amor ao seu status quo característica da consciência opressora, logo, esse amor é um amor a morte e não à vida. Livro Pedagogia do Oprimido p.50.

[11]  Livro Pedagogia do Oprimido p.192

[12] Livro Pedagogia do Oprimido p.218

[13]  Livro Pedagogia da Autonomia p.98
[14] FREIRE, Paulo, de Educação como Prática da Liberdade 15ª Ed. Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 1984 .p.36
[15] Muitas vezes essas ferramentas ou elementos pedagógicos não são desenvolvidos dentro do mundo acadêmico e sim  no dia-a-dia, nos  seus acertos e erros ou seja empiricamente. Entendo que só podemos ajudar o próximo se estivermos preparados ou seja “conhecer, para poder ajudar, mais e melhor.”Conhecimento acadêmico é necessário seja  qual for o nível, por exemplo os cursos rápidos de recolocação no mercado de trabalho, técnicos, superior, etc.
[16] A mídia diariamente nos mostram essas necessidades, exemplificando determinado bairro tem muitas crianças e adolescentes na rua praticamente o dia todo ociosos. É  crescente o número de violência, o uso de drogas ilícitas, homicídio, roubo, furto, etc. e ainda noticiam a falta de Posto de Saúde, Creches, Escolas dentre outros Equipamentos Social.

[17] Nesta fase podemos dizer que a “ação e reflexão se dão simultaneamente” de Freire estaria em harmonia com o que eu entendo ser possível vivenciar a teoria com a prática.

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